domingo, 7 de agosto de 2011

Folhas secas


Inventei uma vida que não me pertence, mas que precisa ser vivida. Os acontecimentos sempre se repetem estou ficando sem saída. Não tenho coragem de partir em busca de novos ares. O medo travou minhas atitudes. Vivo constantemente com o coração partido. O tempo passa rapidamente como num piscar de olhos. O vento tudo varre e como folhas secas leva também a minha juventude.

Ana Paula Moraes

sábado, 30 de julho de 2011

Ringo Starr em Porto Alegre!

Em novembro, mais precisamente no dia 10, às 21hs, o Gigantinho receberá outro ex-Beatle, o Ringo Starr e sua banda All Starr Band. As características pessoais do músico, ou melhor, sua personalidade caracterizam suas músicas e permeiam seu talento, conquistando multidões de fãs.
Os ingressos começaram a ser vendidos para o público geral no dia 18 de julho. Pista/Arquibancada: R$ 150,00. Cadeira: R$ 200,00 e Pista Premium: R$ 300,00. Os ingressos podem ser comprados pelo site http://www.ticketsforfun.com.br/ ou nas Lojas Multisom.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

                                       
Não use drogas. Invente histórias e viaje para o mundo mágico da imaginação. Essa viagem somente a literatura pode te proporcionar e com garantia de ida e volta.

Ana Paula

sábado, 23 de julho de 2011

Desabafo

Todos os dias paro e penso: nasci no mundo errado. Não aguento mais sair de casa todos os dias e me deparar com tanto sofrimento de pessoas e animais. Para todo lado que olho encontro cachorros abandonados, famintos e doentes. Toda essa dor puxada na base do chicote, se os gaúchos preferirem, pelo estouro do relho mesmo.  Me sinto impotente diante de tanto sofrimento. O meu coração está sangrando. Preciso urgentemente da minha super concha protetora de assuntos mundanos. Desculpem o desabafo, pois a intenção do blog é abordar assuntos relacionados as letras e a arte. Infelizmente, nem tudo são rosas caros leitores.
Ana

domingo, 17 de julho de 2011

Trabalhando a questão da homofobia na Escola


A pesquisa "Juventudes e Sexualidade no Brasil", publicada pela Unesco em 2004, mostra que 39,6% dos meninos não gostariam de ter um colega de classe homossexual. É hora de falar do assunto nas salas de aula.


       A questão da homofobia é um tema que está em alta na atualmente e vem sendo abordado constantemente pela mídia. Por isso, resolvi fazer uma dinâmica com os meus alunos do Ensino Médio na    disciplina de Ensino Religioso, visto que os estudantes sempre sugerem que os professores abordem temas contemporâneos. Sanando assim as dúvidas da garotada em relação a esse tema tão polemico e mal abordado pela mídia, pois a televisão coloca a homossexualidade como uma opção sexual, mas na verdade a homossexualidade é algo que nasce com a pessoa, ou seja, está na essência do ser humano. E não deve ser entendido como uma “modinha” ou algo opcional. Cabe aos professores (as) trabalharem a questão do respeito ao outro, pois a escola segundo dados do Corsa é o lugar onde ocorre o mais casos de homofobia. O professor deve levar em conta a opção religiosa do aluno e a opinião da família sobre a questão, porem sempre ressaltando o respeito e o amor ao próximo.

       Sugiro a seguinte dinâmica que elaborei e deu super certo com os meus alunos de Ensino Médio. Rendeu até palmas no final da atividade. Segue abaixo dez perguntas e respostas sobre o assunto. O professor deve imprimir as perguntas e respostas em um papel mais firme colorido  para dar um destaque e chamar a atenção dos jovens. Em seguida, separe as perguntas das respostas e misture bem antes de entregar para a turma. Assim, uns ficaram com as perguntas e outros com as respostas. O aluno faz a pergunta e o professor dá um espaço para os alunos colocarem para o grande grupo o seu ponto de vista e somente depois desse debate o estudante que tem a resposta faz a leitura para o grande grupo. Tempo estimado para aplicar a atividade: duas aulas.
Segue as questões:
 
1) O que é homofobia?   
"Em uma sociedade como a nossa, qualquer um que saia da norma heterossexual é imediatamente tratado com descaso, desprezo, humilhação e até com violência física. É isso o que chamamos de homofobia", explica Ramires, que tabém é coordenador do Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor de defesa dos direitos LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis).

2) Muitas pessoas partem do pressuposto de que a bissexualidade e a homossexualidade são desvios de caráter, uma doença ou ainda algo contagioso. Como a psicologia nos explica cientificamente esses casos?
Muitas pessoas, por exemplo, partem do pressuposto de que a bissexualidade e a homossexualidade são desvios de caráter, uma doença ou ainda algo contagioso. "A psicologia já demonstrou que ninguém sabe explicar cientificamente por que as pessoas são heterossexuais, bissexuais ou homossexuais. Há fatores biológicos, psicológicos e sociais, mas é impossível determinar uma única causa", explica Lula Ramires, mestre em Educação pela USP.

3) Há uma idade certa para falar de sexo e homossexualidade na escola?
Segundo pesquisadores, não existe uma idade ideal. Na infância, assuntos como sexo e orientação sexual precisam ser tratados com muita sutileza, mas sem menosprezar a inteligência dos pequenos. Já na adolescência, quando rapazes e garotas estão experimentando transformações corporais, é um dever da família e da escola abordar esse tipo tema com naturalidade, de forma arejada, plural, indicando todas as possibilidades de escolha sexual sem valorizar nem recriminar nenhuma delas.
4) Como a homossexualidade afeta os alunos?
A homossexualidade é uma das principais causas de bullying nas escolas. Sem ter referências sociais e culturais para debater a respeito da identidade de gênero e da orientação sexual, os jovens acabam referindo-se com ironia e preconceito aos gays dentro e fora da escola. Segundo Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o fato de a homossexualidade já estar na rua, na televisão, mas não na escola ou no livro didático, acaba levando ao bullying.
Pesquisas mostram que a escola tem sido um verdadeiro "inferno" para alunos homossexuais: eles são ignorados ou impedidos de participar de atividades em grupo, seus objetos são furtados, são alvos de piadinhas e xingamentos, ora são agredidos fisicamente das mais variadas formas. "Fica difícil ir bem nos estudos e até ter vontade de ir para a escola numa situação como essas", afirma Lula Ramires, coordenador do Corsa.
 
5) Como tem sido o dia a dia dos alunos homossexuais na escola?
Pesquisas mostram que a escola tem sido um verdadeiro "inferno" para alunos homossexuais: eles são ignorados ou impedidos de participar de atividades em grupo, seus objetos são furtados, são alvos de piadinhas e xingamentos, ora são agredidos fisicamente das mais variadas formas. "Fica difícil ir bem nos estudos e até ter vontade de ir para a escola numa situação como essas", afirma Lula Ramires, coordenador do Corsa.
6) Porque a escola deve combater o preconceito?
A escola não é capaz de combater o preconceito contra gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e travestis sozinha. Mas, segundo o estudo "Diversidade Sexual e Homofobia no Brasil", da Fundação Perseu Abramo, o ambiente escolar é o melhor lugar para por fim à homofobia. Os resultados da pesquisa mostram que, enquanto metade dos brasileiros que nunca frequentou a escola assume comportamentos homofóbicos, apenas um em cada dez brasileiros que cursaram o ensino superior apresenta o mesmo comportamento.

Além disso, a homofobia manifestada na forma de bullying nas escolas faz com que alunos desistam dos estudos. Além de instigar o respeito e tolerância entre os alunos, falar sobre o assunto é uma forma de garantir a permanência e o acesso à Educação - como previsto na lei - a realmente todos os cidadãos. A Secretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da Presidência divulgou que, hoje, 10% da população brasileira é gay. "À escola cabe mostrar que essa variabilidade do desejo sexual existe na sociedade como um todo e que é preciso aprender a respeitar isso", diz Lula Ramires, mestre em Educação pela USP e coordenador do Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor de defesa dos direitos LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis).

7)  E se eu achar que falar de homossexualidade na escola é inadequado?
Educadores indicam que, quando os pais se sentirem desconfortáveis com a temática estudada em sala, o melhor é comparecer às reuniões pedagógicas, manifestar dúvidas e dialogar com os professores e gestores escolares. "A Educação para a cidadania tem de ser uma tarefa empreendida pela comunidade escolar, envolvendo inclusive a participação dos pais", diz Lula Ramires, do Corsa (Cidadania, Orgulho, Respeito, Solidariedade e Amor de defesa dos direitos LGBT - Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis).

8)  Como os educadores devem trabalhar o tema na escola?
A abordagem do tema deve ser feita de forma delicada, afinal a homossexualidade ainda é um tabu. "Ttem que se ter cuidado ao falar disso", admite a professora de biologia Mônica Marques Ribeiro, que há dez anos aborda em sala questões relacionadas à sexualidade, sempre aproximando o tema dos direitos e deveres dos cidadãos e do respeito e à diversidade humana. "Debatemos tudo conforme a necessidade da classe, conforme o aluno vai perguntando", conta.

É importante deixar claro que, da mesma forma que existem pessoas que sentem desejo pelo sexo oposto (heterossexuais), existem outras que sentem isso pelo mesmo sexo (homossexuais). Fazer isso é parte do trabalho do professor que decide abordar a temática sexual de forma didática na sala de aula. Além disso, ressaltar que o desejo pelo mesmo sexo não é uma vergonha, crime ou doença é algo que deve ser transmitido não só para os alunos, mas também para os pais.
9) Como a homofobia costuma ser vista?  
A homofobia costuma ser vista como um conjunto de emoções negativas (aversão, desprezo, ódio, desconfiança, desconforto ou medo) em relação a homossexuais ou mais concretamente, a lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais. Na verdade, a homofobia transcede sentimentos individuais: trata-se de preconceito, discriminação e violência contra pessoas cuja orientação sexual (desejo sexual), identidades ou expressões de gênero (identificação dos sujeitos com configurações de masculinidade ou de feminilidade) não se conformam com a heteronormatividade, ou seja, valores, normas e dispositivos por meio dos quais a heterossexualidade é instituída como a única forma legítima e natural de expressão identitária e sexual. Nesse sentido, as praticas sexuais não reprodutivas são vistas como desvio, crime, aberração, doença, perversão, imoralidade ou pecado.
 
10) Como classificar o comportamento homofóbico?  
Algumas pessoas preferem classificar o comportamento homofóbico apenas como o "répúdio da sociedade em relação a pessoas que se auto-excluem" ou desajustamento social por busca do prazer individual" justificando assim a exclusão social das pessoas homossexuais pelo fato de serem diferentes da suposta norma.

 

domingo, 3 de julho de 2011

Versos, sons e ritmos


      O café fumegava no parapeito da sacada. O tempo voava lá fora. Hoje, não queria saber do relógio. Se guiaria de dia pelo sol e de noite pela lua. Sem pressa. Sem hora marcada. Hoje é o dia de observar bem de longe. De preferência sem ser observada.

       Mariana passa minutos, horas, dias a fio assim contemplando. Analisa crianças, jovens, adultos, velhos. Menino e menina. Homem e mulher. Tudo e todos mesmo. Nada escapa do seu olhar investigativo. Passa a maior parte do seu tempo a observar o andar, o olhar, os gestos, as cores, o estilo e as atitudes das pessoas. Gosta, sobretudo, de dar sentido a todas as suas percepções e sensações. Essa é a Mari. Como é chamada carinhosamente pelos mais íntimos.

       Mariana se ajeita na poltrona. Procura uma posição confortável. Em seguida, se inclina e fica a fitar o movimento intenso de carros e pedestres. Indo e vindo. Sempre. Num movimento incessante. Pessoas de gravata, de uniforme, de chinelo, muita gente passando de um lado para o outro. De todas as idades. Uns com um passo mais apressado, outros nem tanto.

       O sinal do semáforo amarelo, vermelho, verde. Atenção, pare, siga. O ritmo não pode parar nunca. Os motoristas seguem os seus destinos. Uns dobram a direita, outros a esquerda. Outros ficam presos no congestionamento e depois somem do alcance de seus olhos. É o caos do trânsito.

       A escola dá o sinal. Será o intervalo ou a saída? Depois de alguns minutos concluí que é a saída. Os estudantes saem dispersos. Aos poucos vão surgindo os grupos em muitos tons. Azul, verde e violeta. Amarelo, laranja e vermelho. Além de um festival de pink, verde-limão e laranja-néon. As cores desta geração. Não da sua. Mari faz um esforço para lembrar as cores de sua época de estudante. Por fim, conclui que suas preferidas sempre foram as cores primarias. As cores puras. Sem misturas.

       Os alunos parecem desorientados, perdidos, confusos com tantas informações relevantes. Sim, todas são importantes. Todas serão cobradas. Delas dependem para decidirem os seus futuros. Implacavelmente. Deste jeito. Sem dó e nem piedade. Que vençam os mais fortes ou talvez os mais esforçados. Tudo é uma questão de vontade. Acho que sim. Pelo menos, com ela foi assim.

       Mudança de perspectiva. Os cheiros se confundem no ar. São compostos de várias substâncias. Vários temperos que se misturam. Cebola, alho, alecrim, manjerona e cheiro verde. E pimenta muita pimenta. De todos os tipos. A vida precisa de pimenta. O poema precisa de pimenta. O conto precisa de pimenta. O romance precisa mais ainda de pimenta. As pessoas precisam de pimenta. Até os pratos precisam desse condimento picante. Em especial, da pimenta-malagueta. Tudo é uma questão de paladar ou de estômago.

       Esse é o momento de relaxar e desestressar. Recarregar as energias para depois continuar seguindo a marcha da banda. Ela não para. Apenas dá tréguas. Aproveitem essas raras ocasiões. Depois de um certo tempo a banda segue pedindo passagem. Contando com a sua participação. Peguem os seus instrumentos e façam muito barulho. Precisamos de flashes. Destaque. Notoriedade. Todos sem exceção. Concordo que uns precisam de mais, enquanto outros de bem menos. Precisam de menos burburinhos e mais paz.

       O sol segue o seu caminho em conformidade com o seu tempo. Desta forma vai cumprindo a sua tarefa diária. Depois de alguns dias de folga. Verdade. O sol, às vezes, também resolve reservar alguns momentos para a introspecção. Fica de longe, escondidinho, nublando os nossos dias. Contribuindo para os dias de melancolia. Tão essenciais. Tão produtivos em termos de poesia. Depois desse retiro, o sol volta a brilhar mais forte e brilhante. Me identifico com o sol.

       O café fumega outra vez. Não no parapeito da sacada de Mariana. O aroma vem escapando fugidio pelo ar. Entra pelas minhas narinas e aos poucos toma todo o meu ser. O café de sempre. O café com leite. O café preto. O café da inspiração dos poetas. O café que une culturas. O café que anuncia o lanche da tarde. O nosso café de cada dia. Da manhã e da tarde. De qualquer horário. Basta sentir vontade.

       Os sinos tocam chamando os fiéis. Mari retorna de sobressalto. Os pensamentos estavam longe. O coração acelera em mil batidas. Estava, realmente, dispersa. O sinos chamam a sua atenção de uma maneira brusca. O sacristão bate o badalo insistentemente. Quer a nossa atenção. Seguem as badaladas cada vez mais fortes. Eis que surgem os primeiros fiéis em busca de algo que foge do alcance de Mari. Tenta se aproximar mais, mas não consegue fazer a leitura dos seus lábios. Nem ler os seus pensamentos. É o mistério da fé. A fé que toca a roda da vida. Que faz o mundo girar. Que contribui para o equilíbrio da mente humana. Cada um com a sua.


       O sol se põe avermelhado no horizonte. É o fechamento do dia e o começo da noite. As primeiras luzes surgem ofuscadas pelo clarão da lua. O movimento retorna com força total e, lentamente, vai diminuindo para dar espaço para um eco vazio. Uma noite sem estrelas. Com um céu infinitamente azul marinho. Frio e repito: vazio. Mariana continua com o mesmo olhar atento e ao mesmo tempo fugaz. O mesmo olhar de raio x. Com a mesma sensibilidade aguçada.

       Luzes vibram em vários pontos da cidade. A menina se esforça, mas não consegue mais identificá-las. O sono tenta confundir sua visão. Fecha os olhos devagar . Tudo o que consegue ver são pontos de luz. Multicoloridos. Parecem uma pintura impressionista. Sim, é esse mesmo o nome do movimento que usou os efeitos da luz e da cor. Ela continua lutando contra o sono. O sol se foi e levou com ele as suas energias. Cansa da luta e se entrega. A escuridão invade-a. Amanhã, a vida começa outra vez com seus versos, sons e ritmos. E Mariana passará de expectadora para o papel de personagem.

Ana Paula Moraes

sábado, 25 de junho de 2011

Machado de Assis: o estilo


    
O blog do curso de Letras da Unisinos postou este texto sobre o estilo de Machado de Assis. Foi o melhor texto que já li sobre a obra de Machado. Por isso, resolvi postar por aqui também. Como dizem por aí: Machado é tudo!
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        Durante 40 anos, Machado escreveu crônicas. Utilizando-se de histórias do dia a dia, refletindo sobre a História que se desenhava à sua volta. Machado falou, sim, da escravidão, mas, não se utilizando do emocionalismo que caracterizava as manifestações abolicionistas, e sim, a análise, a reflexão, demolindo a ideia (muito comum na época) da “bondade dos brancos” ao libertar os negros. Em sua obra (crônica, conto, romance) procurou desvendar os mecanismos econômicos e ideológicos que tentavam justificar, primeiro, a necessidade do trabalho escravo e, depois, a contingência imperiosa da libertação. Em 13 de maio de 1888, foi assinada a Lei Áurea. No dia 19, do mesmo mês, Machado de Assis publicou uma crônica sobre o assunto, ironizando a “bondade dos brancos”.
        Machado de Assis não passou largo dos grandes acontecimentos de seu tempo. É possível entrever, no registro do cotidiano feito por suas crônicas, assim como, posteriormente, nos romances, a ligação com o contexto social mais amplo.
Entre uma crônica e outra, entre uma crítica teatral e um poema, Machado de Assis ia tecendo a parte mais importante de sua obra: o conto e o romance

As fases
        Passeou pelo Romantismo e pelo Realismo, assimilando características de ambos, mas, não se pode enquadrá-lo radicalmente em nenhum desses estilos. Pode-se dizer, a grosso modo, que os romances da primeira fase tendem ao Romantismo e os da segunda fase, ao Realismo.
        Porém, nos romances de primeira fase, já se podem notar algumas novidades, sendo a principal delas,  a criação de personagens que ambicionam, sobretudo, mudar de classe social, ainda que isso lhes custe sacrificar o amor, bem diferentemente dos romances românticos, em que os personagens, em geral, comportam-se de acordo com aquilo que lhes dita o coração.
        Centrou seu interesse na sondagem psicológica, isto é, buscou compreender os mecanismos que comandam as ações humanas, sejam elas de natureza espiritual, ou decorrentes da ação que o meio social exerce sobre cada indivíduo. Tudo temperado com profunda reflexão. O escritor buscava inspiração nas ações rotineiras do homem. Penetrando na consciência das personagens para sondar-lhes o funcionamento, Machado mostrou, de maneira impiedosa e aguda, a vaidade, a futilidade, a hipocrisia, a ambição, a inveja, a inclinação ao adultério. Como este escritor capta sempre os impulsos contraditórios existentes em qualquer ser humano, torna-se difícil classificar suas personagens em boas ou más. Escolhendo suas personagens entre a burguesia que vive de acordo com o convencionalismo da época, Machado desmascara o jogo das relações sociais, enfatizando o contraste entre essência (o que as personagens são) e aparência (o que as personagens demonstram ser). O sucesso financeiro e social é, quase sempre, o objetivo último dessas personagens.
        Preocupava-se muito mais com a análise das personagens do que com a ação. Por isso, em sua narrativas, pouca coisa “acontece”: há poucos fatos em suas histórias, e todos são ligados entre si por reflexões profundas. Outra característica da prosa machadiana é a análise que o autor faz da própria narrativa: o narrador rompe o envolvimento emocional do leitor com a obra, proporcionando momentos de reflexão sobre o que está lendo. A visão de mundo machadiana tem as seguintes características: o humor, com dois objetivos: ora visa criticar o ser humano e suas fraquezas, através da ironia, ora demonstrar compaixão pelo homem, fazendo o leitor refletir sobre a condição humana; o pessimismo, não o angustiado, nem o desesperador. Tende à ironia e propõe a aceitação do prazer relativo que a vida pode oferecer, já que a felicidade absoluta é inatingível. A natureza, considerada, aqui, como todas as forças que estabelecem e conservam a ordem do universo é, ao mesmo tempo, mãe, porque criou o ser humano, e inimiga, porque mantém-se impassível, diante do sofrimento, que só terá fim com a morte.
        Quando a mulher, Carolina, morreu, em 1904, a vida de Machado de Assis desmoronou. Disse: Foi-se a melhor parte da minha vida, e aqui estou só no mundo [...] Aqui me fico, por ora, na mesma casa, no mesmo aposento, com os mesmos adornos seus. Tudo me lembra a minha meiga Carolina. Como estou à beira do eterno aposento, não gastarei tempo em recordá-la. Irei vê-la, ela me esperará.
        Carolina não teve de esperar mais do que quatro anos. Com a vista fraca, uma renitente infecção intestinal e uma úlcera na língua, em 1.º de agosto, Machado vai pela última vez à Academia Brasileira de Letras – que fundara em 1896 e da qual fora eleito presidente primeiro e perpétuo. Na madrugada de 29 de setembro de 1908, lúcido, recusando a presença de um padre para a extrema-unção, morre, reconhecido pelo público e pela crítica como um grande escritor.

Fonte: Excertos de http://www.culturabrasil.pro.br/machadodeassis.htm (2011)

sábado, 18 de junho de 2011

Conto "Encontro.com"

                                                               Encontro.com

        Clara dá uma última olhada no espelho. Retoca a maquiagem. Resolve fazer um rabo-de- cavalo no cabelo, pois a previsão do tempo indica chuva para o início da noite. Não saia de casa sem antes escutar a previsão do tempo. Pensou em desistir do encontro. O tempo não era propício. Além do mais, sequer tinha visto uma foto do rapaz. Seria como encontrar uma agulha no palheiro.
        Anda de um lado para o outro. Senta. Levanta. Estala os dedos. A sua ansiedade por fim vence. Pega as chaves do carro e sai rumo ao encontro. Suas mãos suam. Está insegura quanto a sua decisão. Sempre age por impulso e depois se arrepende. Fecha o sinal. Clara freia bruscamente. Morde o lábio inferior. Retoca novamente o batom. Abre o semáforo, mas não consegue ir muito longe. Acaba de pegar um congestionamento. Olha o relógio. Não chegaria a tempo de cumprir o horário combinado. Pensa em desistir pela segunda vez. A chuva anunciada começa antes do horário previsto. Clara debruça o peito sobre o volante e resmunga consigo mesma: Tá vendo clara. Sua teimosa!
Respira fundo. Conta até dez. Esse truque sempre funciona. Pensamento positivo. Abre o porta luva em busca da página impressa do site de relacionamentos. Precisa relembrar a descrição do candidato a ocupar o seu coração solitário. Começam a buzinar insistentemente. Distraída nem percebe que o congestionamento acabou. Acelera.
        Pontualmente 15:00 horas. Clara disfarça um tempo olhando as vitrines. Não pode ser pontual logo no primeiro encontro. Vai parecer que está muito interessada. Entra em algumas lojas. Olha ansiosa para o relógio. Os minutos não passam. Uma vendedora vem sorridente ao seu encontro:
-Boa noite! Posso ajudá-la?
Clara pensa: Um rapaz alto, de olhos verdes, corpo escultural, trajando calça jeans e camiseta laranja. Conhece?
Por fim, responde:
-Não, nada não. Estou somente dando uma olhadinha.
A vendedora se afasta um pouco:
-Fique à vontade. Se precisar de ajuda o meu nome é Luiza.
        Clara disfarça um pouco. Agradece a vendedora e sai da loja um pouco desajeitada. Tudo o que precisava era se sentir à vontade com aquela situação. Fita o relógio pela última vez. Enche o peito de coragem e decide acabar com aquela agonia. Se encaminha decidida até o corredor combinado. De longe avista um homem de estatura mediana com calça jeans e camisa laranja. Decide ir pelo lado contrário do corredor. O coração acelera em mil batidas. As características não conferem. Para pela última vez. Disfarça. Coloca os óculos escuros para ter certeza do que estava vendo. Segue cuidando pelo canto do olho. De repente, sai em disparada em direção a porta principal do shopping rumo ao estacionamento. Nesta fuga desenfreada nem percebe que passou da sua vaga. Para um pouco para retomar o fôlego. Finalmente conclui: Devia ter me guiado pela previsão do tempo. Os meteorologistas dificilmente erram.

domingo, 5 de junho de 2011

Trinta invernos


Fechou mais um ciclo de vida. Tudo passa e não voltará jamais. Encontro-me como um dia de inverno- triste, cinza e gelado. O sol, o dono do meu humor, aparece tímido entre nuvens quase apagado. E eu, assim como as flores, vou tentando resistir a mais um dia nublado.  

Projeto estabelece punições para estudante que desrespeitar professor

Projeto de lei do Paraná estabelece punições para estudante que desrespeitar professor

Amigos, eis aí algo que precisa do nosso apoio, para diminuir um pouco a inversão dos valores.

Assine a petição: http://www.peticaopublica.com/PeticaoAssinada.aspx?pi=P2011N10291

                 Projeto estabelece punições para estudante que desrespeitar professor

A Câmara analisa o Projeto de Lei 267/11, da deputada Cida Borghetti, que estabelece punições para estudantes que desrespeitarem professores ou violarem regras éticas e de comportamento de instituições de ensino.

Em caso de descumprimento, o estudante infrator ficará sujeito à suspensão e, na hipótese de reincidência grave, encaminhamento à autoridade judiciária competente.

A proposta muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) para incluir o respeito aos códigos de ética e de conduta como responsabilidade e dever da criança e do adolescente na condição de estudante.

Indisciplina

De acordo com a autora, a indisciplina em sala de aula tornou-se algo rotineiro nas escolas brasileiras e o número de casos de violência contra professores aumenta assustadoramente. Ela diz que, além dos episódios de violência física contra os educadores, há casos de agressões verbais, que, muitas vezes, acabam sem punição.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta: PL 267/2011
Reportagem - Murilo Souza
Edição - Newton Araújo

http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2650168/projeto-estabelece-punicoes-para-estudante-que-desrespeitar-professor

http://www.camara.gov.br/sileg/integras/838075.pdf